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espírito da prisioneira:   
   -Se eu lhe tivesse dado ouvidos - dissera lorde de Winter a Felton. Portanto Felton falara a seu favor, pois lorde de Winter não quisera dar ouvidos a Felton.   
   -Fraca ou forte - repetia Milady -, este homem tem pois uma luzinha de piedade na alma, desta luz eu farei um incêndio que vai devorá-lo. Quanto ao outro, conhece-me, tem medo de mim e sabe o que pode esperar se eu escapar das suas mãos, portanto não vale a pena tentar alguma coisa com ele. Mas Felton é outra coisa, é um jovem ingênuo, puro e que parece virtuoso, a esse, há maneira de o perder.   
   E Milady deitou-se e adormeceu com um sorriso nos lábios, quem a visse dormindo diria que era uma mocinha sonhando com a coroa de flores que usaria na próxima festa.   

   SEGUNDO DIA DE CATIVEIRO   

   Milady sonhava que finalmente tinha apanhado D’Artagnan, que assistia ao seu suplício, e era a vista do seu sangue odioso, derramado sob o machado do carrasco, que lhe desenhava este encantador sorriso nos lábios. Dormia como dorme um prisioneiro embalado pela sua primeira esperança.   
   No dia seguinte, quando entraram no quarto, ainda estava deitada. Felton estava no corredor, trazia a mulher de que lhe falara na véspera e que acabava de chegar, esta entrou e aproximou-se da cama de Milady para lhe oferecer os seus préstimos. Habitualmente Milady estava pálida, portanto, a sua tez podia iludir quem a visse pela primeira vez.   
    - Tenho febre - disse ela -, não dormi um instante toda a noite, que foi tão longa, estou muito mal: será você mais humana do que ontem foram comigo? De resto, só peço permissão para ficar deitada.    - Quer que chame um médico? - perguntou a mulher. Felton escutava este diálogo sem

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